segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cap. 12 Uma besta que cai

O lenhador vinha caminhando tranquilamente, com seu longo machado nos ombros. Cantarolava uma música de sua banda favorita:

-- Na-aa-aai-tifa-aaa-aall...

Sua tranqüilidade foi quebrada quando uma grande explosão sacudiu o chão e fez com que o homem se desequilibrasse e caísse, com cabo do machado batendo em sua cabeça.

-- Mas que %&*@# é essa? – indagou o homem, passando a mão sobre a cabeça dolorida.

O homem atravessou por entre as árvores, até chegar à estrada principal. Ao pisar sobre a estrada, viu Astarus e sua comitiva enfrentando o misterioso palhaço e sua criatura de duas cabeças. Ele se aproximou calmamente, sem tirar o machado de posição de repouso em seu ombro. Astarus, que saltava de um lado a outro, tentando escapar das investidas do monstro, olhou para o homem e gritou:

-- Saia daqui, homem! Esta criatura é terrível!

O homem apenas olhou e se aproximou tranquilamente.

-- Não ouviu o que disse o cavaleiro, anãozinho? Saia já daqui, antes que sobre pra você também! Hahahahaha! – debochou o palhaço, enquanto lutava com Tokotoko.

-- “Anãozinho”? – balbuciou o homem.

-- Um anão de verdade? Eu nunca tinha visto um... – Karollahyne estava surpresa em ver um destes seres antissociais pela primeira vez.

-- Ninguém me chama de “anãozinho”! – gritou o homem que, enfim, era um anão de verdade.

-- Vai fazer o quê, hein!?

O anão puxou o machado e o arremessou com incrível força e velocidade, atingindo a criatura no peito. O monstro levantou o corpo e ficou em pé, sobre duas patas. Seu último gritou foi o suficiente para soltar os intestinos de todas as aves num raio de quilômetros. O animal caiu para trás, morto. Tokotoko e o palhaço saltaram, caindo cada um de um lado.

-- Incrível... – falou Astarus em baixo tom.

O anão caminhou devagar, retirou o machado, que ainda estava cravado no peito da criatura morta, limpou e jogou sobre os ombros.

-- Na-não acredito! Você matou minha mais preciosa arma com um simples golpe de machado. – o palhaço tremia as pernas e não conseguia sair do lugar.

-- Você me chamou de “anãozinho” e eu não gostei disso. Além de tudo, você é um palhaço e eu odeio palhaços. – disse o anão, com uma certa raiva em sua fisionomia.

-- Ah... me desculpe... eu só ta-tava brincando. Olha, eu nem sou palhaço. – e tirou a máscara.

-- Outra máscara! – exclamou Karollahyne.

-- Eu não posso mostrar o meu rosto. Se eu fizer isso, meu chefe vai me matar. – disse o palhaço em tom de pedido.

-- Tire a máscara logo ou eu te corto com o meu machado! – ameaçou o anão.

-- Deixe ele ir! – gritou Astarus.

Ninguém disse nada, mas ficaram surpresos.

-- Pelo que me parece, já não representa ameaça alguma. – continuou o cavaleiro.

-- É... é verdade, eu não vou fazer mal a ninguém mais. Eu juro. – disse o ex-palhaço.

-- Eu posso congelá-lo com meu jutsu. – disse Tokotoko.

-- Não. Melhor deixa-lo ir. Daremos uma chance a ele.

-- Hehehe... podem ficar tranqüilos, eu juro que não conto nada... Ei! O que você está fazendo? – gritou o ex-palhaço ao ser puxado pelo anão, que o agarrou pelas costas.

-- Você fala demais. – e deu-lhe um chute no traseiro, enviando o infeliz para muuuuuuiiiiito longe.

-- O que você fez!? – gritou Astaurs, furioso.

-- Não era para deixar ele ir? – disse o anão, em tom de inocência.

-- Eu ia interroga-lo primeiro.

-- De acordo com meus cálculos, levaremos umas duas semanas de caminhada para chegarmos até aonde ele foi parar. – disse o ninja.

-- Ah! Deixa pra lá! Vamos continuar nossa jornada, pois temos de cumprir prazos; porém, antes vamos ressuscitar Karlim, antes que Karollahyne comece a chorar novamente. – disse Astarus, vendo a elfa com os olhos cheios de lágrimas.

-- Ei, aonde vai? – perguntou Astarus ao ver o anão seguindo pela estrada.

-- Para casa, ué!

-- Antes que parta, deixe-me agradecer em nome do grupo.

-- Foi nada. – respondeu o anão em tom seco.

-- Posso saber o seu nome? – perguntou o cavaleiro.

O anão deu um sorriso convencido, estufou o peito e disse:

-- Meu nome é João, filho de Jão, filho de Malacão, filho de Malião, filho de Solimão, filho de Sousão, filho de Mamão, filho de Rulião. Descendo da linhagem guerreira dos anões vermelhos do oeste, das terras áridas, também conhecida como Iskatringdgurundim na linguagem dos antigos elfos comedores de alface do sul.

-- João? Que nome esquisito. – disse Karollahyne.

-- Eu também nunca ouvi. – disse Astarus.

Tokotoko acenou para Astarus, concordando com ele.

-- Como não conhecem? Grandes anões com este nome marcaram nossa História de glórias. – disse João, irritado. Não era incomum pessoas estranharem seu nome. Na verdade, só ele tinha este nome em Earthland. Seus pais morreram e nunca revelaram a origem da idéia.

Enquanto conversavam, Tokotoko queimou a pena e ressuscitou Karlim. Seu corpo caiu do céu, todo sujo de saliva de monstro, calçando meias brancas.

-- Ai, minha cabeça... como dói... o que aconteceu...? – a queda deixou o elfo atordoado e dolorido.

-- Karlim! Você ta vivo, miguinho! – gritou a elfa, toda alegre, mas sem correr ao seu encontro, como sempre fazia.

-- Argh, que nojo... – disse o elfo, olhando para si e completamente enojado de si.

Astarus havia terminado o diálogo com João e se despediu dele. Foi quando karlim notou sua presença.

-- Quem é aquele anãozinho ali? – perguntou Karlim, apontando para João.

-- “Anãozinho” é a #@%$#&*()%&¨#**@#! – disse João, ao se virar para Karlim.

-- Credo! Que sujeitinho mais mal educado!

-- Também fui com a sua cara, almofadinha! – disse João para Karlim.

-- Muito menos eu, destesto anões. São tão cafonas! – Karlim fez cara de desdém, virando o rosto para o lado e empinado o nariz.

-- Agora eu vou indo. – decididamente, João virou as costas e começou a andar.

-- Então é melhor a gente se apressar, pois temos que salvar logo o príncipe e receber nossa recompensa. – disse Karlim, enquanto calçava suas botas.

-- Recompensa! – exclamou João, sozinho, após ouvir as palavras do elfo. Ele já havia caminhado uns vinte metros, quando virou e voltou novamente ao grupo.

-- Errr... que tal darem um pulo lá na vila primeiro, vocês precisam descansar. – disse ao grupo. – Você precisa de um banho. – olhando para Karlim, que fez cara feia.

-- Ficamos agradecidos de imediato e não recusaremos. Estamos todos muito cansados, famintos e precisando de um banho. – Olhando para Karlim, que novamente fez cara feia.

Então, vamos. – disse João.

O grupo andou aproximadamente um quilômetro até chegar à vila de Moab.





Um comentário:

Igor (Feon2) disse...

Eu pensei que o Anão ia matar o Karlim de novo.