segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cap. 9 Na agência de mensagens

Enquanto um dos bandidos apontava um afiado punhal para o pescoço do atendente, o outro limpava o caixa, enquanto um terceiro ficava na porta, protegendo seus comparsas. Astarus agiu rapidamente com sua espada e derrubou os bandidos facilmente, que acabaram fugindo.
-- O senhor está bem? – perguntou Astarus ao atendente.
-- Sim, obrigado. O senhor salvou minha vida. Nem sei como agradecer. – disse o rapaz, muito feliz.
-- Não se importe com isso, não me deve nada.
-- Olha, que sorte! O sistema voltou! Venha, vou te atender agora.
-- Não faça isso, tem muita gente na minha frente. – disse Astarus.
-- Mas não tem ninguém aqui, então o senhor não irá passar na frente de ninguém.
Astarus olhou para os lados e viu que ninguém se aproximava, ainda estavam muito apavorados. Ele adiantou-se ao caixa e depositou no balcão o saco cheio de moedas de ouro.
-- Quanto pretende depositar, senhor? – perguntou o atendente.
-- 3.000 tolkiens. – disse Astarus.
-- O senhor é correntista em nossa agência? – perguntou o atendente.
-- Ah... não. – disse Astarus, recendo ter perdido seu tempo.
-- Olha, temos um limite de depósitos no valor de 500 tolkiens diários para não correntistas desta agência. Como hoje ainda não atingimos nossas metas em valores de depósito, posso aceitar o seu. E graças ao senhor não fomos assaltados, não custa nada “quebrar este galho” para o senhor. – ao atendente deu um sorriso tímido.
-- Obrigado. – disse Astarus, com um sorriso discreto.
-- Então, senhor, que tal fazer uma recarga para o seu celular? – perguntou o atendente com um sorriso de vendedor.
-- Não, obrigado. – respondeu Astarus.
-- O senhor já tem seguro de vida? Que tal fazer com a gente? Fale com o nosso gerente.
-- Não obrigado. – disse Astarus, pacientemente.
O atendente ficou quieto e continuou a contar as moedas. Logo voltou a perguntar:
-- Temos uma excelente pomadas para hemorróidas, o senhor não estaria...
-- Não, muito obrigado. Só quero fazer meu depósito e ir embora. – interrompeu Astarus, visivelmente irritado.
O atendente ficou quieto e baixou a cabeça. Instantes depois, comentou:
-- Olha, o senhor me desculpa, mas é que somos obrigados a oferecer todos os produtos que dispomos aos clientes, mesmo aqueles que só vem para realizar serviços bancários. A empresa nos impõe todo tipo de campanha absurda e estabelece metas mínimas que devemos cumprir sob ameaça de punição. O nosso gerente exige de nós um rendimento sempre de 100% em relação ao valor da meta. Certa vez, a empresa lançou uma campanha chamada “Cidade limpa”. Todo o lixo da cidade era deixado aqui. A meta da nossa agencia era a de arrecadar 20 toneladas de lixo, mas o nosso gerente estabeleceu 40 T. No final, tínhamos arrecadado quase 60 toneladas. O senhor não imagina o mal cheiro que estava aqui. Eu tive de tomar seis banhos para me livrar completamente do cheiro. O nosso gerente, por coincidência, teve de viajar às pressas para ver a mãezinha que estava doente.
-- Então porque o senhor ainda trabalha neste lugar? – perguntou Astarus.
-- Porque sou covarde demais abandonar este serviço para me aventurar por aí... – fez uma pausa. – Quem sabe, um dia, eu não compro uma espada e passo a viajar o mundo, trabalhando como caçador de recompensas... – o atendente passou a olhar para cima e tinha um sorriso na face.
-- Que os teus sonhos se realizem. – desejou Astarus com sinceridade.
Astarus terminou o depósito e estava saindo, quando viu boa parte dos clientes retornando à agência. Do lado de fora, um mensageiro jogava um saco de 50 kg no lombo de uma pobre mula, que tinha amarrado ao seu corpo mais meia dúzia de sacos iguais a este. O mensageiro subiu no animal e saiu; o bicho mal se mantinha de pé, mas continuava andando. Do outro lado, um belo cavalo de corrida, com a crina penteada e pelo lustroso; estava atrelada a uma carruagem bem feita, onde estava escrito “Rapidex”. A carruagem estava sendo carregada com o maior cuidado do mundo. As encomendas recebiam um trato melhor do que qualquer funcionário da agência.
Astarus encontrou-se com os seus amigos e partiram.

Muitas horas haviam se passado desde que saíram da vila, mas Karlim ainda andava devagar e com as pernas arqueadas. A depilação total havia acabado com ele.
-- Pera ae, gente! Mais devagar! – pediu Karlim.
-- Ninguém mandou você depilar onde não se deve. – disse Astarus.
-- Eu não sou um selvagem como você. Não suporto andar peludo feito um macaco.
-- Estamos numa missão muito importante e temos prazo para isso, ou você não se lembra do que disse o rei? – comentou Astarus, com seriedade.
O rei havia dado um prazo para seu filho fosse salvo. O grupo teria 21 dias (partindo do castelo até o retorno com o príncipe são e salvo) para cumprir a missão. Caso passasse este prazo, o valor do prêmio cairia pela metade. E se caso eles falhassem, seriam presos. Astarus deu sua palavra que faria o possível para resgatar o príncipe e, caso falhasse, estava disposto a pagar por isso. O rei acreditou na palavra do honrado cavaleiro e abençoou o grupo, desejando-lhes a melhor sorte possível.

Astarus resolveu parar para acampar aquela noite. Karlim aproveitou para tomar um banho numa cachoeira ali perto para aliviar as partes que estavam ardendo. Todos se alimentaram bem e dormiram bastante.

O grupo voltou a confrontar criaturas poderosas e receberam grandes recompensas por elas, além de muitos pontos de experiência. A diferença podia ser sentida por todos.
Astarus percebeu que o ar estava mais seco e frio, a vegetação local parecia mais baixa e rasteira.
-- Preparem-se, logo estaremos nas terras de Gurindir, onde o gelo nunca derrete. Lugar também chamado de "Frio Pra Cacete" pelos cariocas ou “Geladu Dimaixxxx” pelos emos. – disse Astarus
-- Ai, eu odeio frio! Sou obrigada a usar este monte de roupa pesada. – disse Karollahyne.
-- No frio o meu cabelo fica todo ressecado. – se queixou Karlim.
-- Pra mim, será ótimo. Poderei usar uma nova técnica na qual estava treinando. – disse Tokotoko.
Enquanto conversavam, um grupo de salteadores pulou no meio do caminho. Eram sete homens trajando roupas escuras e máscaras de palhaço.
Astarus e os outros sacaram suas armas e se posicionaram. A cavaleiro logo percebeu que não se tratava de um simples grupo de bandidos, mas de guerreiros bem treinados. O objetivo deles não era roubar, disso ele tinha certeza.
-- Desta vez, teremos de lutar com todas nossas forças, pois eles só sairão daqui quando estivermos mortos. Serão eles ou nós. E avançou.
A batalha durou vários minutos e eles se deslocaram por centenas de metros, em corridas e esquivas. Karlim conseguiu derrubar dois homens com um único ataque de flechas de fogo. Tokotoko usou sua espada curta e fatiou mais três ao meio. Karollahyne tentou usar seus dotes para distrair um deles, mas não surtiu efeito algum.
-- Como pode? Ele nem olhou pra mim! Será que já não sou mais a mesma? – e olhou para o próprio corpo, apalpando-o para ver se estava tudo bem firme e no lugar. -- Não, ainda sou a mesma e continuo gostosa como sempre. Vai ver , é ele que não é chegado mesmo.
Karollahyne estava tão distraída, admirando a própria beleza que não viu um dos homens se aproximar e desferir-lhe um soco no estômago que a deixou inconsciente no chão. Ao vê-la imóvel, o homem se aproximou com um punhal para cravá-lo em seu coração, mas não teve tempo suficiente. Astarus o atravessou com sua poderosa espada. O sétimo bandido fugiu.
-- Kari! Karizinha! – correu Karlim em socorro de sua amada.
-- Ela está bem, só um pouco atordoada pelo golpe que recebeu. – disse Astarus.
-- Ai... ai... – a elfa estava se recuperando do golpe -- ...como é que um homem pode bater numa dama, principalmente uma jovem tão linda e maravilhosa, feito eu? – disse Karollahyne.
-- É mesmo! Como alguém pode ter a coragem de tocar na minha Karizinha deste jeito? Ai, se eu pego... – disse Karlim, apertando os punhos e fazendo uma careta ridícula, como se estivesse com prisão de ventre.
-- Deixa pra lá, vamos seguir nosso caminho, ta tudo bem agora. Não podemos perder tempo, vamos resgatar o príncipe. Ele é nossa prioridade! – disse Astarus.
-- Não! Vamos pegar esse canalha que machucou a minha Karizinha primeiro! – gritou Karlim, num momento raro de macheza.
-- Me surpreende este seu senso de vingança, Karlim. – disse Astarus num tom de ironia. – Pensei que você fosse da paz. – Astarus repetiu o gesto ridículo que Karlim sempre fazia ao dizer “sou da paz”.
-- Sou da paz, mas não sou otário! – disse Karlim, cruzando os braços e dando as costas para Astarus.
-- Será mesmo? – perguntou o cavaleiro.

Um comentário:

Igor (Feon2) disse...

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Pior que é bem assim mesmo.