segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cap. 10 Caçada

O grupo então decidiu perseguir o bandido sobrevivente, desviando-se do caminho nordeste para o noroeste, a leste das grandes planícies setentrionais do oeste. Atravessaram um belo e verdejante vale, atravessaram um córrego caudaloso, pulando por cima de algumas pedras e depois adentraram num bosque. Enfrentaram mais alguns bichinhos estranhos e faturaram mais alguns tolkiens. Após matarem um perigoso grupo de ursinhos de pelúcia, nossos heróis finalmente saíram do bosque e subiram uma montanha; descendo-a, encontraram outra montanha e subiram-na em sua face menos íngreme, porém, coberta por uma fina camada de neve e musgo.
-- Será que estamos indo no caminho certo? – perguntou Karollahyne.
-- Sim, meu olfato ninja super treinado nunca me traiu. – disse Tokotoko. – Além disso, aquele sujeito usava um desodorante muito raro, somente fabricado pelos anões de Gurodonam, ao sul de Suriom.
-- Hum, eu percebi que aquele homem não cheirava muito bem. – disse a elfa, fazendo cara de nojo.
-- É verdade! Aquele desodorante deve ter vencido há eras! – disse Karlim.
-- Precisamente, há 10 eras. Aquele desodorante foi fabricado somente durante e Era da Fedentina, quando um grande ovo, podre oriundo do espaço, colidiu em nosso planeta, empestando toda a Earthland. – disse Tokotoko e nada mais.

Trecho retirado do livro “Crônicas de Tubibuly”, de Juju Passoka:

“E o ano era de dois mil quatrocentos e vinte e quatro, da décima quarta era, conhecida como a Era das Bibas.”

“Naquele ano, numa noite estrelada do dia quinto do quarto mês, quando a primavera já durava vinte anos e as bibas dominavam o mundo, um gigantesco ovo caiu do céu. Suas dimensões eram de centenas de pés de diâmetro, em sua face longitudinal.”

“A queda do ovo, ocorrida nas terras de Matabarata, ao sul, atingiu extensa área, chegando a Kabadal, a leste; Chukochuko, a oeste; e as terras gélidas de Terras Gélidas, ao norte.”

“O material escuro e pegajoso matou a flora e a fauna do continente. Dos sete mares, o Dois, o Três e o Seis foram contaminados, levando milhares de espécies à extinção e gerando mutações irreversíveis em outras, como no caso do bacalhau, que passou a viver sem cabeça.”

“O céu tornara-se obscuro e o comércio de lamparinas, realizada pelos elfos ciruncisados, veio em boa hora. Estes elfos, da vila de Ju Dá, tornaram-se os mais ricos da décima quinta era, que havia se iniciado.”

“A Era da Fedentina foi relativamente curta e só acabou quanto um poderoso perfume foi criado pelos elfos floristas e disseminado em nuvens cor-de-rosa, que choviam, levando o perfume para todas as áreas atingidas”.


Astarus e os outros pararam para passar a noite. Os elfos ainda não estavam acostumados com longas caminhadas e reclamavam de dores nas pernas e nos pés.
-- Ai, preciso tomar um banho. Olha, rapazes, vou me banhar e não quero ninguém me espiando, viram!? – Karollahyne saiu com um sorriso malicioso.
Astarus não se importou. Sentou-se a um canto, retirou as botas e mordeu uma maçã. Karlim sentiu-se tentado a ir espiar sua adorada Karollahyne se banhar, formando uma bela imagem dela toda nua e molhada pelas águas límpidas do lago. O elfo ficou inquieto, sabendo que não deveria ir espiá-la no banho, pois era um rapaz muito respeitador. Ele começou a suar frio...
-- Aaaaaaarrrrrrrrrrrgggghhhhh... – Karlim saiu correndo para o meio do bosque, arrancando os cabelos.
Astarus e Tokotoko apenas observaram a cena sem se importarem ou fazerem qualquer comentário.

Na manhã seguinte, todos estavam prontos para partir. Karlim, que só apareceu de madrugada, ainda estava descabelado e parecia um tanto exausto.
-- Nossa, migo, que foi que aconteceu? Seu cabelo ta um horror e você sempre cuidou tão bem dele. – perguntou Karollahyne ao amigo Karlim.
-- Eu dormi pouco esta noite, estava com insônia. – disse Karlim, com a cara de desânimo.
-- E porque, meu fofo?
-- Ah... eu tava pensando num verso para finalizar minha nova canção.
-- Que legal! Depois você toca ela pra mim! – disse a elfa, muito entusiasmada.
Seguiram viagem por uma estrada aberta na floresta.

-- Ei, o que é isto em sua mão? -- perguntou Astarus, olhando para a mão direita de Karlim.
-- Ah... isso... er... não é nada... nada que te interesse. – Karlim escondeu a mão no bolso.
-- O que tem sua mão? – Karollahyne ficou preocupada e curiosa. – Deixa eu ver! – puxou a mão de Karlim.
-- HAHAHAHAHAHAHAHA! – Astarus e Tokotoko, numa cena incomum, riram sem parar.
-- Nossa, Karlim! O que é isso? Cresceu cabelo na sua mão! – a elfa não estava entendendo nada, tanto o ataque de riso do cavaleiro e do ninja quanto os cabelos na mão do elfo.
Os dois ainda riam muito e Karollahyne estava ficando irritada.
-- Parem de rir, que droga! Eu também quero saber o que é tão engraçado! – disse a elfa.
-- Não é nada, menina; nada! – disse Astarus, ainda com um sorriso bem aberto.
Para a sorte de Karlim, uma besta de cinco metros de altura, três cabeças e faminta apareceu diante do grupo. Imediatamente, todos pararam de rir e ficaram prontos para o ataque. A fera continuou urrando, mas não atacava. Um homem de traje preto e máscara de palhaço apareceu no lombo do bicho.
-- É você? Seu desgraçado! – gritou Karlim.
-- Ele nos achou antes que o achássemos. – disse Astarus.
-- Desde o começo, nosso plano era atraí-los até aqui para destruí-los.
-- Quem o mandou até aqui? Diga logo! – disse Astarus.
-- Hahahaha!, acha mesmo que direi? Vocês irão morrer sem nunca saberem quem me enviou até aqui! – gritou o palhaço.

Astarus morreria sem saber quem era o líder daquele bando de palhaços.

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