segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cap. 7 No pequeno vilarejo.

O grupo adentrou na vila de Luly. Parecia uma vila como qualquer outra, mas as pessoas lá eram estranhas. Elas andavam de um lado a outro continuamente, sem sentido algum. Astarus se aproximava e tentava conversar, mas as pessoas sempre diziam a mesma coisa.
“Oi! Bem vindo à vila de Luly!”, dizia uma menininha.
“Aqui na vila, você pode comprar alimentos, armas e também pode descansar um pouco”, dizia uma senhora.
“Cuidado. Estas florestas são cheias de criaturas perigosas.”, dizia um homem.
O grupo entrou num bar e as pessoas lá também eram esquisitas e só falavam a mesma coisa.
-- Bom dia, meu amigo. – disse um homem, sentado à uma mesa, para Astarus. Alto, porém, um pouco mais baixo do que Astarus. Trajava roupas rústicas, um longo casaco marrom e chapéu de abas largas,da mesma cor do casaco. Cabelos e olhos claros, cinquentão, mas de porte muito vigoroso e barba por fazer.
-- Bom dia. – respondeu o cavaleiro.
-- O que procura neste vilarejo? – voltou a perguntar o estranho.
-- Pelo que me parece, o senhor não é daqui. – disse Astarus.
-- O Senhor está no céu, meu rapaz. – aponta o dedo para o teto, acompanhado de um sorriso amistoso. –Não sou daqui, também estou de passagem. As pessoas daqui só sabem dizer a mesma coisa. “Oi! Bem vindo à vila de Luly!” – imitando a voz de uma menina; “Cuidado com a serpente do rio.” – imitando a voz de um velhinho.
-- É verdade, as pessoas daqui são muito esquisitas.
-- Pelo menos, aqui poderão descansar e dar um jeito no seu amigo aí. – apontou para algo atrás do grupo.
-- Aaaaaiiiiii, meu Deus! – gritou Karollahyne.
-- Mas... que coisa é esta? – disse Astarus.
Tokotoko não disse nada, apenas observava com tranqüilidade.
-- Ué, vocês não sabem o que aconteceu? – disse o homem.
-- Ele era nosso amigo e acabou morrendo numa batalha que enfrentamos. – disse o cavaleiro.
-- E quanto tempo faz isso...? – perguntou o homem.
-- Nós o enterramos no final da tarde passada.
-- Vocês passaram a noite toda sendo seguidos pelo corpo sem saber? Como são desligados!
Astarus e a Karollahyne ficaram com os queixos caídos de vergonha.
-- Vou levar vocês até uma loja onde poderão comprar alguns itens. Lá encontrarão a pena da fênix, que irá ressuscitar seu amigo rapidinho. – disse o homem.
-- É mesmo!? Jura!? – disse Karollahyne, com um sorriso imenso.
-- Não brinca, homem! Isso é sério e eu não vou tolerar que se divirta com nosso sofrimento. – disse Astarus, apertando os punhos.
-- Meu jovem, estou falando sério. – disse o homem, com serenidade.
-- É verdade, Astarus; este homem está certo. Vamos à loja comprar a pena e ressuscitar Karlim. – disse uma voz grave.
-- O quê! Você fala? – disseram Astarus e Karollahyne.
-- Sim, eu sempre falei. – disse Tokotoko.
-- Além de ter ficado todo este tempo calado, ainda nos omitiu algo tão importante? Ah, seu nanico, não vou te perdoar! -- e o pegou pelo colarinho.
-- Parem!!! – gritou a elfa. – Não vamos brigar agora, vamos salvar Karlim! – e correu apressada para fora.
Astarus soltou o ninja, ainda olhando feio para ele, e saiu.
-- Espero vocês aqui. – disse o homem para Tokotoko, que saiu por último do bar.
Tokotoko conduziu seus amigos até uma loja de artigos. Lá, foram recebidos por um rapaz de avental, que sempre dizia mesma coisa:
“Sejam bem vindos! Aqui poderão comprar alimentos, poções mágicas, dentre outros itens. O que vão querer?” – uma lista com todos os itens da loja e preços abriu-se na frente do grupo.
Tokotoko tomou a dianteira e escolheu os itens que considerava necessário.
Ao saírem da loja, Tokotoko imediatamente pegou a pena da fênix e usou em Karlim. Para usar a pena, bastava apenas encostar uma ponta no fogo, que logo a pena toda era consumida. Ao queimar, uma luz multicolorida belíssima saía da fumaça e entrava no corpo do falecido. Por ser altamente inflamável, e a pena da fênix devia sempre ser bem protegida do calor.
Karlim acordou e logo ficou de pé.
-- Aaaarrrgh! Cof! Ergh! – Karlim não parava de cuspir terra, que tinha entrado em todos os orifícios do seu corpo.
-- Karlim! Meu lindo, você está de volta! – Karollahyne correu para abraçá-lo.
-- O que aconteceu? Porque to todo sujo de terra e que lugar é este?
Astarus explicou todo o ocorrido e Karlim, aos poucos, se recordava de seus últimos instantes, na batalha contra as abelhas. Depois eles voltaram à taverna para agradecer ao misterioso homem, mas ele já não estava lá. Saíram de Luly e retomaram viagem.
-- Então quer dizer que você não é mudo? – disse Karlim em tom de deboche.
-- Não. – disse Tokotoko.
-- Você deveria falar mais. Ficar muito calado não é bom para o coração. – disse Karlim.
-- Tudo bem, se vocês não se importarem, vou falar um pouco.
-- Isso. Converse conosco, Tokotoko. – disse Astarus, num raro sorriso.
-- Conta a sua vida pra gente, vai! – disse a elfa, toda curiosa.
Tokotoko enrolou, enrolou e quase nada disse sobre sua vida. Ele passaria as próximas horas falando interminavelmente dos mais variados assuntos. O grupo já estava exausto de tanto ouvir a voz dele. Quando parecia que Tokotoko terminaria seus discursos, ele iniciou uma seqüência de piadas.
-- Você conhece aquela do elfo que se perdeu na floresta? – perguntou o ninja para Karlim.
Suas piadas sobre elfo eram infinitas e deixaram o casal de elfos presentes muito aborrecidos. Astarus até que achou graça, principalmente ao ver a cara de paspalho do Karlim tão séria. Justo o mais chato do grupo, com suas canções horríveis e poemas ridículos, sentindo na pele o que era ser importunado por anedotas de mau gosto.

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