segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cap. 6 Noite na floresta

O grupo saiu da floresta, subiu mais três montanhas, atravessou mais cinco vales, pulou três córregos, e finalmente achou um lugar tranqüilo para passar a noite. Karlim montou a barraca de Karollahyne e a própria; logo após, deitou e dormiu profundamente.
Astarus banhava-se no rio, usando apenas uma peça de roupa que lhe cobria as vergonhas. Sentiu alguém se aproximando e gritou:
-- Quem estiver aí, apareça agora!
Karollahyne saiu devagar.
-- Sou eu, não se assuste! – disse ela.
-- Eu não estou assustado. Como não sabia quem estava a me espionar, estava prestes a atacar. Não faça isso novamente.
-- Sim, desculpe.
-- E o que você faz aqui? Não vê que estou despido e me banhando? Deixe-me só, preciso de privacidade. – disse o cavaleiro.
-- Pensei que precisaria de alguém para esfregar suas costas... então, vim aqui para te ajudar. Como você é mal agradecido. – Karollahyne se fez de vítima.
-- Não, obrigado. Nunca precisei de ajuda para tomar banho. – disse Astarus, voltando-lhe as costas.
Karollahyne entrou na água com uma esponja na mão e se aproximou de Astarus.
-- Mentira, duvido que sempre tenha tomado banho sozinho. Deve ter alguém com quem você gostava de se banhar, fala pra mim... – disse a elfa, quase sussurrando no ouvido de Astarus.
-- Sou um homem do mundo, garota. Não tenho tempo para prazeres fúteis. Enquanto não cumprir minha missão, não poderei me dar ao luxo de apreciar tudo isso que você aprecia.
-- Agora temos tempo para apreciarmos o que tem de bom nesta vida... – a elfa estava esfregando suas costas suavemente. Passou para frente, esfregando o peito de Astarus, olhando-o nos olhos sensualmente. Então, sussurrou:
-- Seja meu homem esta noite... seja o meu primeiro homem e eu sempre serei sua...
-- Quer dizer então que você é donzela!? – disse Astarus num tom alto de voz e a afastou de imediato.
-- Sim, qual o problema? – disse a elfa, sem entender nada.
-- Não, melhor não. Se você é donzela, que seja assim enquanto estivermos nesta longa jornada. – Astarus mergulhou na água fria e sumiu.
-- Astarus! Aonde você ta...? – Karollahyne ficou decepcionada e se arrependeu de dizer que era virgem.
Astarus voltou quase uma hora depois. Karollahyne e Tokotoko (em cima de uma árvore, assim ninguém viu seu rosto) estavam comendo uma refeição preparada por ela. O cavaleiro não disse nada e comeu, sentado de frente a elfa. Logo depois foram dormir, enquanto Karollahyne limpava os utensílios usados e jogava no mato o resto da refeição.

Astarus acordou com uma música insuportável na sua cabeça:
-- Fácil, extremamente fácil! Pra você! e eu e todo mundo cantar juntoôôôôô...! – Karlim esta sentado numa pedra, tocando seu alaúde.
-- Amigo, dá pra parar essa cantoria agora? – pediu Astarus educadamente.
-- Que isso? Não vou parar, não. Estou te presenteando com a minha nova composição (que não são todos os privilegiados a ouvir) e você está desdenhando de mim? – Karlim continuou a cantar a música irritante. Um shuriken arremessado por Tokotoko prendeu uma das cordas e Karlim teve de parar.
-- Obrigado, grande guerreiro ninja. – agradeceu Astarus com sinceridade.
Tokotoko apenas acenou e fez um sinal de “beleza” com o polegar.
Aaaawwwwwuuuuuhhhhhh... – Karollahyne deu grande bocejo. – Que música linda. Por que parou?
Karlim estava tão triste e preferiu ficar quieto.
Astarus pensou: “Só essa doida pra gostar das porcarias que este elfo faz...”
Tomaram um café rápido e seguiram.

A musiquinha de fundo começou a tocar e todos sacaram suas armas rapidamente. Tinha uma lesma na frente deles.
Totoko usou “run”, mas a lesma fechou caminho do grupo. Astarus atacou com a espada, mas a lesma conseguiu se esquivar. Karlim atirou com seu arco e atingiu a lesma de raspão. Karollahyne apenas ficou na defensiva. Estava com muito nojo da criatura para atacar. Mais alguns ataques do grupo, a lesma foi derrotada. Seu corpo sumiu e ficaram no chão algumas moedinhas.
O grupo enfrentou algumas batalhas, sempre conseguindo moedinhas. Após uma das batalhas, um barulhinho estranho foi ouvido e eles viram as letras “XP UP “ saindo chão e subindo diante deles. Não entenderam nada até a próxima batalha, quando perceberam um aumento sensível em suas habilidades.
-- Haha! Olha que legal, quanto mais a gente luta, mais forte ficamos! – disse Karlim.
-- Sim, mas agora estamos fracos e precisamos repor nossas energias. – disse Astarus.
Eles estavam enfrentando um grupo de cinco abelhas, que não paravam de acertá-los com doloridas picadas.
-- Vocês estão feridos, vou usar a minha magia de cura. Como eu disse, eu posso realizar algumas magias; até que não sou tão inútil assim. – disse ela, olhando para Astarus.
A elfa fez uns gestos com as mãos, mas se esqueceu de movimentar as setas que apareciam sobre as abelhas para seus amigos. A magia curou as abelhas, deixando seus amigos do mesmo jeito que estavam.
-- Olha o que você fez. – disse Astarus.
-- Ai, gente, desculpa...
-- Faça outra magia, rápido! – disse Astarus.
-- Não dá! Já gastei todos os meus pontos de magia (PM).
-- Sua estúpida, ferrou todos nós! – gritou Astarus, exaltado.
-- Ai, não fala assim comigo, não! – a elfa começou a chorar.
-- Como você é insensível! – disse Karlim.
-- E você, cala a sua boca também! – gritou Astarus.
Karlim ficou quieto e procurou se defender das abelhas.
Após vários ataques, as abelhas finalmente foram derrotadas.
-- Êêêêêêêêêêêêêêêê! Conseguimos! – comemorou Karollahyne.
Astarus e Tokotoko apenas olharam para a elfa. Quando ela se virou e viu seu amigo no chão.
-- Karlim! Karlim! – correu em sua direção.
Karlim não respondia, tinha muitos machucados pelo corpo. Estava morto.
-- Karlim, acorda! Fala comigo, por favor! – Karollahyne ficou desesperada ao ver seu amigo morto. – Nããããããããoooooooooooo! – deitou a cabeça em seu peito e começou a chorar.
Os outros dois apenas olhavam , com pesar.
-- Ele era chato, patético, insuportável, inútil, retardado, fraco, burro, sem graça, deprimente, mala, tosco, sem talento algum, mas... eu gostava dele. – disse Astarus, com pesar.
Tokotoko acenou com a cabeça.

Astarus carregou o corpo de Karlim em seus braços até uma clareira no meio da floresta. Lá, ele foi enterrado de acordo com os costumes de sua vila. Era noite, a lua brilhava, estava enorme no céu e sua luz banhava o túmulo de Karlim.
-- Adeus meu amigo. Nunca irei te esquecer... – Karollahyne voltou a chorar. Astarus a abraçou e a puxou consigo, para que partissem logo.

Caminharam a noite toda pela floresta. Quando amanheceu, chegaram ao fim da mata e avistaram uma pequena vila, à frente.

Um comentário:

Mario disse...

Quero só ver nonde isso vai dar...