segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cap. 5 Mais um dia de viagem

Levantaram cedo, arrumaram as coisas e partiram. Karollahyne olhou para Astarus e perguntou, um tanto preocupada:
-- Você sabe exatamente o caminho? Pelo tanto que andamos, a gente pode ter se perdido.
-- Claro que sei, o mapa está comigo. Eu nunca perdi uma aula de Geografia, por isso pode ficar tranqüila.
-- Argh, eu odeio Geografia. Na verdade, eu odeio todas as matérias. Odeio estudar qualquer coisa! – disse Karollahyne com um sorriso convencido.
-- Então é por isso que é tapada. Pensei que fosse burrice, mas é só ignorância. – disse Astarus com tranqüilidade, sem desviar o olhar do caminho.
-- O quê! Como ousa falar assim comigo? – Karollahyne dá chiliques – Olha ele, Karlim, me insultando!
-- Ei, cara, não fala assim com a minha Kari, não! – Karlim tomou as dores de sua amiguinha.
-- Você vai fazer o quê? – Astarus parou de caminhar e encarou o elfo, olhos nos olhos.
-- Vou continuar pedindo que pare de insultá-la até você parar de fazer isso... – disse Karlim, intimidado pela aura do sábio cavaleiro.
Continuaram caminhando, em silêncio. Karollahyne comentou com Karlim:
-- Como esse cavaleiro é estúpido. Se eu soubesse, nem teria vindo com vocês.
-- Calma, querida, logo vocês irão se entender. Eu vou fazer ele gostar de você, deixa comigo. – acenou Karlim com um sinal de positivo.
Mais um inimigo aparece, agora é um poodle.
-- Ai, que fofinho! – disse Karollahyne.
-- Este aí é o nosso inimigo! – disse Astarus.
-- Como você pode dizer isso? – disse Karollahyne indignada.
-- Não ta ouvindo a música de fundo? Ela sempre toca quando aparece algum inimigo na nossa frente. – disse Astarus. – Bom, agora é a minha vez de atacar.
Astarus escolheu a opção “defender”.
Tokotoko era o único que podia usar o “run” (correr) nas batalhas. Ele o fez, mas o poodle fechou o caminho dos quatro.
Karollahyne escolheu a opção “pegar no colo”, mas o poodle mordeu ela.
-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Cachorrinho fdp do c******! Vamos acabar com ele! – a elfa ficou furiosa, seu limit breaker estava no máximo.
Karlim atirou uma flecha e o poodle desviou.
Astarus usou sua espada para abrir o chão e o poodle caiu, mas ele só perdeu alguns pontos de vida.
Tokotoko atacou com a espada e tirou mais pontos do poodle.
Karollahyne usou seu limit breaker, fazendo seu chicote rodar e provocar um tufão. O poodle sumiu e ficaram umas moedinhas. Prosseguiram viagem.
Atravessaram um largo vale, sua grama era tão verde e vistosa que brilhava a quilômetros de distância. No local, um filete de água, outrora um grande e caudaloso rio, descia das montanhas, atravessando o vale e seguindo na direção da Floresta Negra 22 (como nesse mundo existiam várias florestas com o mesmo nome, elas foram numeradas). O grupo continuou seguindo para o norte ocidental do lado leste oriental da montanha e penetrou na parte sudoeste da floresta, de terreno plano e cheio de pântanos.
-- Argh, que cheiro ruim! -- Karollahyne fechou o nariz, com a maior cara de nojo.
-- Reza uma lenda, que séculos atrás, este era um lugar belo e suas flores eram tão perfumadas, que poderíamos sentir seu aroma do outro lado do rio. Mas aqui, neste local, houve uma batalha entre os soldados de Barm e os nativos que viviam nesta floresta. Estes últimos, em óbvia desvantagem bélica e numérica, foram massacrados impiedosamente. A partir daí, este solo se tornou infértil para qualquer tipo de vida nova que venha a crescer. Somente as árvores que testemunharam este terror ainda persistem. – Astarus olhava com tristeza para as árvores secas e retorcidas ao seu redor.
-- Nossa, como isso é triste. – Karollahyne enxugou uma lágrima. Karlim ofereceu seu lenço élfico -- de um branco indescritível -- a ela. – Como as pessoas podem ser tão ruins e sanguinárias? – continuou a elfa.
-- Vejo que você ainda é muito inocente para estas coisas, garota. Pelo jeito, vocês nunca saíram da vila.
-- Não, nunca precisamos. – disse a elfa.
-- Nem você, Karlim? Nunca saiu em expedição, exercícios de guerra? – perguntou Astarus, sempre olhando para frente.
-- Nós não temos exército na nossa vila. Não gostamos de guerra. Somos da paz. – Karlim fez um gesto ridículo com as mãos e que Astarus não compreendeu, apenas sabendo que isso era algo patético, vindo de um ser igualmente patético.
Atravessaram os pântanos, as árvores retorcidas davam ao local uma sensação de medo e solidão. Astarus conhecia bem a região, por isso aquilo não mais o intimidava. Lembrou-se da primeira vez que entrou na floresta.

A sensação de medo, sentia um calafrio imenso. Seus dentes rangiam, mas de maneira alguma ele recuou.
-- Você deve vencer seus medos, enfrentar todos os perigos e se tornar um guardião, assim como é seu pai e um dia foi teu avô. – disse-lhe um homem de estatura média, de feições sérias e espessa barba escura.
Astarus apenas acenou com a cabeça para seu pai e entrou na floresta.

-- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – Karollahyne gritou.
Astarus imediatamente sacou sua espada e ficou alerta.
-- O que foi, meu amor? – perguntou Karlim.
-- Um monstro! Um monstro! – apontou para uma simples barata no meio do caminho.
-- Ah! Tudo isso por causa de um inseto? – Astarus ficou irritado com a elfa. – Eu disse que não deveríamos trazer essa garota com a gente.
-- Ao invés de ficar me xingando, porque não ataca este monstro? – perguntou Karollahyne com os braços cruzados.
-- Porque este não é o nosso inimigo. – disse Astarus, guardando a espada.
-- É, Kari, não to ouvindo nenhuma musiquinha de fundo... – disse Karlim.
-- Viu? Não temos de lutar contra ela. – Astarus afastou o inseto com a ponta da espada embainhada e seguiu em frente.

Um comentário:

Mauricio Trindade disse...

Lobo, o que mais gosto na sua escrita é o diálogo entre os personagens, pois transmite bem a pernonalidade de cada um.Eu procuro ser honesto para fazer qualquer comentário ou juízo de valor, por isso vou ler os outros dois capítulos anteriores que não havia lido.