segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cap 3 Os escolhidos para a missão

Astarus e Paluf estavam há horas na mesma posição. Foi o tempo de todos saírem para beberem uma água e comerem um churrasquinho de ratazana do lado de fora do estádio. Todos voltaram e eles ainda estavam lá.
-- E agora, até quando vamos esperar pela decisão dessa luta? – perguntou um expectador.
O juiz não poderia interferir na luta. Chegou a pensar em propor algo alternativo, como um jogo de xadrez, mas sabia que assim seria fácil para Paluf vencer, já que ele roubaria com toda a certeza. E nenhum juiz conseguiria resistir à tentação dos dólares oferecidos pelo político, que era conhecido pelo seu grande poder de per$ua$ão.
Um carro preto estacionou do lado de fora, três homens usando coletes pretos, óculos escuros entraram com toda a pose a anunciaram:
-- Polícia Federal! Senhor Paluf, o senhor está preso! – gritou o chefe deles.
Neste momento, o juiz anunciava a vitória de Astarus, devido a desistência do Senhor Paluf, que havia desaparecido sem deixar vestígios. Quando ouviu o barulho dos carros, logo soube de quem se tratava e saiu de fininho, resmungando: -- Se eu descubro que foi o fdp que me denunciou, eu...”
-- Ei, vocês dois! – diz o policial federal, apontando para os dois PMs. -- Porque não deram voz de prisão para o meliante?
-- Isso não é nosso serviço. – disse Pereira.
-- Isso mesmo, vocês pegam os peixes pequenos e nós, os tubarões. – os policias federais riram em gargalhadas altas.
-- Queria ver você e teus amiguinhos filhinhos da mamãe subirem o morro e trocar tiros com os “peixinhos”, com fuzil pra todo lado. – disse Macieira.
-- Quem é filhinho da mamãe? -- avançou o policial federal, muito nervoso.
De ambos os lados, todos sacaram suas armas e começaram a trocar tiros, causando o maior estrago. No meio do tumulto, os três black metal from hell saíram correndo. Yoshihiro rebateu todos os tiros com sua espada. Tokotoko, se escondeu num lugar seguro e aproveitou para continuar a leitura seu livro, sem se importar com o barulho. O casal de elfos se escondeu dentro de uma lata de lixo. Astarus avançou com sua espada e cortou o chão ao meio, interrompendo imediatamente a briga.
-- Vamos parar com isso, agora! – bradou. – Os senhores são homens da Lei e deveriam se portar de maneira esperada.
Os policiais abaixaram a cabeça, envergonhados.
-- Façam as pazes e vão embora, por favor. – disse Astarus, sem se deixar intimidar por qualquer um deles.
Os policiais apertaram as mãos, pediram desculpas a todos e foram embora. Haviam combinado de tomarem uma cerveja juntos, ao final do expediente.
O juiz anunciou que os cinco candidatos remanescentes passaram no último teste e que eles teriam a honra de resgatar o príncipe, em troca de uma grande fortuna. Todos aplaudiram os heróis.
Yoshihiro levantou-se e estava saindo, quando foi chamado pelo juiz:
-- Ei, você foi classificado, aonde pensa que vai?
-- Eu vim aqui apenas para lutar. – olhou para Tokotoko. – Fiz o que tinha de fazer. Não estou interessado em salvar príncipe nenhum e não estou interessado no dinheiro. – o samurai de longos cabelos negros saiu sem dizer mais nenhuma palavra. Ao chegar à porta de saída, acabou tropeçando no seu chinelo de madeira.
-- *@$%¨!&* -- melhor não traduzir o palavrão que o samurai proferiu ao se levantar. – Não sei porque ainda insisto em andar com essa porcaria. Droga de tradição. – saiu resmungando, com a mão nas costas.
-- Hum... alguém mais quer desistir? – perguntou o juiz; ninguém se manifestou. – Então sejam bem vindos. Por favor, me acompanhem.

Os classificados foram quatro: o ninja Tokotoko, o cavaleiro Astarus e os elfos Karlim e Karollahyne. Eles foram conduzidos à sala do rei Asgandur (que era a cara do Sean Connery), que os recebeu com o melhor tratamento possível. Ele ficou impressionado com a beleza (e gostosura) de Karollahyne e disse que adoraria ver seu filho “casado com uma dama com a sua graça e formosura”. A elfa ficou sem graça diante de tal elogio, principalmente partindo do próprio rei, que ela achou charmoso.
Retratos do príncipe foram mostrados aos quatros heróis para que estes o reconhecessem quando o virem. Karollahyne o considerou “bonitinho”; Karlim, “simpático”, Tokotoko achou que ele não servia para ser um ninja; Astarus achou o príncipe meio afetado, mas disse ao rei que o filho se parecia com ele (se referia à cor dos olhos, que era a mesma).
-- Hoje, vocês dormirão aqui e irão receber o melhor tratamento que posso oferecer. Amanhã partirão cedo para os montes gelados do norte. Estão bem entendidos?
-- Sim, Majestade. – disse o grupo, que logo após foi conduzido por um empregado do castelo.

Todos tomaram banho, vestiram roupas confortáveis e foram conduzidos a quartos individuais.
-- Acho que já vou mimi, fofo. – disse Karollahyne, usando uma fina camisola de seda vermelha, para Karlim.
-- Mas, já? Ainda são nove horas.
-- É que eu to com sonim. – Karollahyne fez cara de dengo.
-- Ta bom, minha fofa. Vou te conduzir até o seu aposento.
-- Então, boa noite.
-- E o meu beijo. – com a face virada.
Quando Karollahyne ia beijar o rosto de Karlim, este se desvirou para tentar um beijo na boca.
-- Hã, hã! Somos apenas amigos, nada de beijo na boca. – a elfa fez uma cara de reprovação para Karlim. – Beijo, só no rosto. Se quiser.
-- Ta bom, eu prometo que não mais fazer isso. – Karlim virou o rosto e deixou-a dar um beijo, deixando sua bochecha molhada. Ele ficou excitado e virou de costas para ela para que não percebesse.
-- Tchau. – fechou a porta.
Karlim correu para o seu quarto e se deitou, tendo fantasias erótico-românticas com Karollahyne, imaginando o dia em que ela finalmente iria reconhecer que ele era o elfo de sua vida.
Tokotoko estava no quarto desde que saiu do banho. Ele não deixou ninguém ver seu rosto e falou muito pouco. Até o momento, só uma empregada do castelo ouviu sua voz. Foi quando ele disse “Mais uma toalha, por favor”, antes de entrar no quarto de banho. Ele sempre agradecia com um movimento da cabeça.
Astarus estava passeando pela varanda do castelo e contemplando as belas estrelas que enchiam o céu. Ele sentiu a presença de alguém. Pelos passos, sabia que não representava perigo.
-- Não ta com sono? – perguntou Karollahyne.
-- Eu nunca durmo antes da meia noite. – disse Astarus.
-- É, eu também. – Olhou para ele com um sorriso sensual.
Astarus não olhava para Karollahyne, ele só tinha olhos para as estrelas.
-- Você gosta de olhar para o céu? – perguntou a elfa.
-- Sim.
-- Por quê?
-- Não sei te dizer, talvez por me lembrar tempos felizes.
-- Ah, ta...
Karollahyne percebeu que o jovem guerreiro não estava nem aí com ela. Resolveu se retirar.
--Vou dormir agora, temos de levantar cedo.
Astarus não falou nada e continuava olhando para o céu.
-- Acho que a gente vai se dar muito bem. Qual é o teu signo? – pergunta a elfa.
-- Não sei. Não ligo para essas coisas.
-- Que dia você nasceu?
-- Acho que no dia 10 ou 12, sei lá. Só sei que foi em janeiro.
-- Ah, capricorniano. Então combina com o meu, que sou virgem, hihihi. – Karollahyne achou graça do próprio comentário. Astarus não entendeu e também não se importou em saber. – Não entendeu? Eu sou virgem e vou morrer virgem. – deu um sorriso safado e saiu. Astarus deu uma olhadinha para trás, Karollahyne estava longe. Ele deu um sorriso e voltou a contemplar as estrelas.

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